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Quinta-feira, 30 DE Abril DE 2009

Dia da Mãe - 2009

Lembrar o Dia da Mãe.

Os alunos do 5º ano não deixam passar nada e logo me recordaram que o 1º Domingo de Maio é o Dia da Mãe e queriam fazer algumas lembranças para oferecer. Disse-lhes que é um gesto que os pais vão apreciar e foi-lhes pedidas sugestões sobre o que gostariam de oferecer. Claro que apareceram sugestões para todos os gostos, desde aquelas muito elaboradas em que era quase tudo comprado até aquelas que pouco tinham a ver como lembrança para as Mães. Partindo dos materiais que tínhamos lá na sala, porque também foi sugestão de alguns, decidimos por unanimidade (neste aspecto são versáteis) fazer umas caixinhas decoradas a seu gosto para colocar uma mensagem pessoal dirigida à mãe. Mãos à obra!..

Nas fotos estão incluídas lembranças de anos anteriores.

Domingo,3 de Maio, a todas as Mães.. Feliz Dia da Mãe!..

publicado por Arte por um Canudo 2 às 19:10
Terça-feira, 28 DE Abril DE 2009

Dê Sangue!..


 

 

 

Dar sangue é salvar vidas. Dê a oportunidade de viver aos outros...faça como  se fosse consigo.

Recolha de sangue, dia 29 de Abril (quarta-feira) na EB 2,3 Prof. Mota Pinto - Lajeosa do Dão.

Venha até cá..junte-se a nós e vai ver que não custa nada.

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publicado por Arte por um Canudo 2 às 11:40
Segunda-feira, 27 DE Abril DE 2009

Comemoração do Dia do livro

Dia do Livro- Liberdade BE-CRE

Foi elaborado pelo Departamento de CHS da EB 2,3 Prof. Mota Pinto para comemoração do Dia do Livro a 23 de Abril, mas é colocado aqui para divulgação e para o pessoal de EVT, como sendo um excelente recurso que traça a história da escrita e do livro que pode ser dado nos conteúdos de Comunicação e Área de Exploração sobre a Encadernação.

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publicado por Arte por um Canudo 2 às 00:44
Domingo, 26 DE Abril DE 2009

35º Convivio do GT

O Grupo do Tacho comemorou o 25 de Abril com o 35º convivio.
Reunindo-se no restaurante de canas de Santa Maria mais conhecido por " O restaurante das bombas", o Grupo do Tacho juntou 16 comensais à volta duma Paelha e regada com o bom néctar da região. Depois fomos visitar a casa do penedo da moura, um excelente local bem requalificado paisagisticamente e dum gosto requintado mantendo a traça do campo. Foi um excelente convivio até às tantas. Depois foi a colocação deste vídeo em casa dum elemento do GT com música original do Opulência, grupo que pertencia a Parada de Gonta.

publicado por Arte por um Canudo 2 às 02:49
Sábado, 25 DE Abril DE 2009

Onde pára o 25 de Abril?


Desenho a lápis de cor e aguarela

 

Foi há 35 anos!..

Que se deu o despontar de uma aurora na penumbra das trevas que amordaçavam o país, numa morte sem esperança para o povo português, que nasceu a liberdade acabando-se com o medo.

Foi o eclodir da esperança dum povo de olhos vendados que não tinha direitos, era injustiçado, não tinha liberdade de expressão, era psicologicamente amordaçado pela censura, não promovia a paz e fazia a guerra sem questionar porquê.

Recordar as conquistas de Abril com o regresso dos políticos exilados, as grandes manifestações com os cânticos de esperança que enchiam qualquer praça, o poder de discutir e dar a sua opinião nas assembleias, o escrever sem medo, o poder de pertencer como homem livre a qualquer órgão ou instituição, lutar pelos direitos do trabalhador, fazem parte do baú que hoje, passados 35 anos da Revolução de Abril, parecem estar a desvanecer.

Passados 35 anos a esperança do povo de Abril vai-se desvanecendo à medida dos anos passados. A sociedade de lazer que estava prometida não chegou. Com o advento da globalização certos direitos começaram a ser postos em causa com o objectivo da produtividade e do lucro, o homem torna-se uma máquina produzindo cada vez mais, e sempre com objectivos de lucro mais elevados, levando a que haja mais produto para vender do que aquele que pode ser comprado, dando-se o colapso e abrindo uma crise financeira que não se sabe quando terminará.

As conquistas de Abril foram-se desvanecendo e foram postos em causa os direitos dos trabalhadores, o direito ao trabalho, a fome começa a imperar, a liberdade de se expressar a ser questionada, a degradação dos valores morais e éticos foi uma constante, a falta de solidariedade, tudo fruto do egoísmo dos homens em favor dum capitalismo selvagem do qual os nossos governantes também foram responsáveis.

Como tudo neste país, vai-se perdendo o verdadeiro sentido de Abril, mas recordo com orgulho o ter assistido a data tão importante (ver a minha 1º lição sobre Abril) e tenho esperança que o verdadeiro significado do 25 de Abril ainda venha acontecer.

 

O sentir dum emigrante (num comentário)

Emigrante não defendas
O Portugal do passado
Vê bem que dele fugiste
Por tudo te ter negado

Teu Portugal é o de hoje
O de ontem nunca foi teu
Não te iludas não defendas
Quem nunca te defendeu

P'las portas que Abril abriu
Podes entrar à vontade
E sem medo ergueres bem alto
Teu grito de Liberdade

P'las portas que Abril abriu
Entras sem amo e sem aio
E verás que hás-de encontrar
O teu 1° de Maio

Do amigo Zé Carrapato

 

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publicado por Arte por um Canudo 2 às 03:26
Sexta-feira, 24 DE Abril DE 2009

O sentir dos professores.

 

Em reunião havida ontem, dia 23 de Abril, entre os professores da escola e os representantes da plataforma sindical, sobre propostas de novas forma de luta para o 3º período, ficou-se a perceber o cansaço que esta batalha provocou e o “receio “ de que novas lutas venham trazer mais desconforto à classe.
Soube-se que além do modelo de avaliação de desempenho e do modelo de gestão escolar contestados até agora, existe outra lei que está a fazer mossa nalgumas escolas que é a abrangência aos professores do código de trabalho e da famosa Lei n.º 7/2009 de 12 de Fevereiro que aprovou a revisão do Código do Trabalho. Ela está aí e já faz mossa.
São muitas frentes e o receio de nova vitória com maioria dos actuais governantes pode trazer “desforra” sobre a classe.

Da reunião, ficou-se pela manifestação nacional, como sendo a forma mais unânime, sem descurar outras formas de acção que apelem à opinião pública sobre a justeza destas lutas.

Os sindicatos e os movimentos que se juntaram nesta contestação que levou milhares de professores para as ruas têm agora uma tarefa muito importante, é o de conseguir mobilizar novamente a classe, apesar dos receios do que possa depois acontecer.

publicado por Arte por um Canudo 2 às 02:10
Quarta-feira, 22 DE Abril DE 2009

Encontro Inter Escolas e Jardins de Infância

Realizou-se ontem, dia 21,na nossa escola,  o Encontro Inter Escolas e JI, projecto VIVAESCOLA desenvolvido pelo Pelouro da Cultura da CMT, com a participação dos  professores das AEC do 1º CEB e JI  e alguns alunos da Escola Profissional de Tondela.
       Este projecto promove actividades lúdicas para os JI e actividades Física e Desportivas, Música e Expressão Plástica e Inglês para o 1º CEB.
      Todas as Escolas e JI do Agrupamento, participaram entusiasticamente nos novos jogos, actividades lúdicas e desportivas. Sem duvida que a a possibilidade de ser "bombeiro" por alguns minutos intervencionando um fogo, socorrendo a professora ou AAE e a participação numa descida de slide, foi o momento alto de todas as actividades.
      A todos os que proporcionaram às nossa crianças estes momentos de puro deleite...o nosso BEM HAJA.

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publicado por Arte por um Canudo 2 às 08:33
Segunda-feira, 20 DE Abril DE 2009

Professor: Alvo a abater

Nesta sexta-feira dia 13 de Março de 2009 pensei que seria uma experiência interessante registar o que me acontece num dia ou numa semana de trabalho típica. Devo dizer que a minha profissão é a de professor, pelo que, nos tempos que correm, sou um alvo a abater.
 Adiante.
Nesta sexta-feira, as principais ocorrências de carácter disciplinar (que é como se chama modernamente à má educação, marginalidade e brutalidade), foram as seguintes:
- 8.00 horas - O aluno Raimundo da turma especial do 6º ano espancou o aluno Eduardo, da minha Direcção de Turma, a 2 metros do portão da escola. Sem qualquer motivo. Apeteceu-lhe.
- 12.30 horas - O aluno Raimundo da turma especial do 6º ano, na cantina da escola, entornou alguma água no seu tabuleiro, e exigiu que o aluno Hermínio, da minha Direcção de Turma, limpasse a água com um guardanapo. Como este se tivesse negado, regou-lhe a comida toda com o conteúdo inteiro de uma garrafa de litro e meio de água. A comida ficou impossível de ser consumida, pelo que o almoço do aluno foi meio papo-seco oferecido por outro aluno.
- 14.30 horas - Tive conhecimento do sucedido, redigi as participações disciplinares e procurei o aluno Raimundo, que tem 17 anos, anda no 6º ano, mede 1.80m e desde que entra até que sai da escola tudo o que faz é agredir, insultar, ameaçar e destruir. 
Perguntei-lhe o que se tinha passado.
Respondeu-me: 
"Bati no Eduardo do portão para fora, por isso você não tem nada a ver com isso, e aquilo da água na comida do Hermínio é mentira".

Avisei-o para que não tocasse mais nos meus alunos. Riu-se e disse:
- "É só se não me apetecer".

-Redigi nova participação disciplinar. Será mais uma para o monte. 

Inútil.
- 15.25 horas - Na fila para o bar, o aluno da minha Direcção de Turma Carlos Daniel, foi espancado por um aluno dos Cursos de Educação e Formação, de nome Fábio, sem qualquer motivo. Apenas por desfastio.
Nova participação disciplinar, relatório, recado nas cadernetas, cópias para o Director de Turma do agressor, para o Conselho Executivo, para o meu dossier, cartas registadas.
- 16.00 horas - A minha aula é interrompida por uma gritaria enorme. Ouço uma mulher a chorar. Ao lado de um cacifo destruído, o aluno que agredira os meus dois, de manhã, ria-se na cara da funcionária, que entrara em desespero por ele estar a destruir o cacifo e não lhe obedecer. A funcionária chorava convulsivamente, na medida exacta em que ele a insultava, chamando-lhe um pouco de tudo o que se possa imaginar. Chamei o vice-presidente, que pediu ao aluno para o acompanhar. O Raimundo afirma peremptoriamente que não fez nada (!!!).
Chama-me mentiroso. Diz que me f**** os cornos à saída. 
- 16.30 horas - O aluno Fábio (o da agressão ao Carlos Daniel) é expulso da sala de aula contígua. Recusa-se a sair. A professora pede ajuda e as funcionárias fogem. Naturalmente, acudo. O indivíduo, refastelado numa mesa e a rir-se às gargalhadas, galvaniza toda a turma numa espécie de delírio colectivo. É o caos. Peço licença à colega, pego nele e ponho-o na rua.
- Você tem a mania que é esperto, qualquer dia f***-se! Sempre a meter-se onde não é chamado!... 
 Mais uma participação disciplinar, com todo o cortejo de procedimentos burocráticos associados, e para nada.
Entrei às 8.15 horas. Às 17.30 acabou o meu período de aulas, com 50 minutos de almoço. Dei sete blocos de aulas, no meio de indisciplina, e todos os meus intervalos, mesmo o do almoço, foram ocupados a preencher papéis referentes a estes casos mais flagrantes de indisciplina. Não têm conta os palavrões que ouvi, as gritarias nos corredores, os insultos velados ou pelas costas de modo a não se identificar quem insultou, ou não se "ter provas".
É fácil de imaginar o estado de nervos em que se trabalha. A disposição, a clareza de raciocínio, a inspiração, tudo se dissolve debaixo desta contenção forçada, deste caos, desta selva sem lei a que se está sujeito. Todos os dias.
 Segunda Feira 16\03
Nesta segunda-feira apresentei-me ao serviço às 8.15 horas, como sempre, e com a esperança sincera de não ter que escrever nada na entrada de hoje. É todos os dias a mesma coisa. Todos os dias eu desejo que seja um dia sem "casos". Não foi:
- 10.3o horas - Duas alunas entram na sala aos gritos, numa discussão do tipo Morangos com Açúcar, teatralizada até à náusea, com asneirões pelo meio. Duas faltas disciplinares, procedimentos burocráticos da praxe, e os habituais protestos de que "não estavam a fazer nada", mais as ameaças de chamar alguém do Conselho Executivo para as pôr fora da sala.
- 12.30 horas - Passo nas imediações da cantina, e na fila, um aluno do 9º ano, velho conhecido, bate com as cabeças de dois alunos do 5º ano uma contra a outra. Ria-se para as colegas de turma e afirmava estar a "descarregar o stress". 
Trata-se de um aluno cujos pais vêm sempre à escola ameaçar com queixas e com tribunais todos os professores, funcionários ou alunos que reajam aos numerosos abusos que comete todos os dias e a toda a hora. É genuinamente mau. Famoso nas redondezas por alvejar gatos e cães com tiros de carabina (oferecida pelo pai especialmente para o efeito).
Uma queixa de um aluno destes implica meses de transtornos diversos, devassas da vida pessoal, ameaças anónimas, etc.. Acerco-me e pergunto o que se passa. Meio tontos, os garotos do 5º ano afirmam que estão todos "a brincar". Não adianta prosseguir. Sustentarão essa versão até ao final das suas vidas, se preciso for, para evitar serem seriamente espancados pelo Abílio, o agressor. Afasto-me, debaixo dos risos sarcásticos dos meninos e das meninas da turma do "herói".
- 13.o5 horas - Uma rapariga que coxeia e tem uma acentuada deficiência numa perna, passa nas escadas e um aluno do CEF (Cursos de Educação e Formação), com ar mais boçal que se possa imaginar, dispara:
- Hã... hã... cande é que quemeças á andar como deva ser?...
Fico aturdido, incrédulo, e escapa-se-me:
- Desgraçado!
- Qué que foi? - responde o aluno do CEF, com toda a insolência.
- Então tu estás a fazer troça de uma rapariga deficiente? - digo eu.
Resposta dele:
- Eu não lhe chamei deficiente. Só disse cando é quela quemeçava á andar como deva ser!
Não vale a pena apresentar queixa. Por estranho que possa parecer, o "argumento" dele ganhava, no actual estado de loucura que tomou conta das escolas.
- 14.45 horas - Alunos de uma turma CEF que foram expulsos de uma aula, correm pelos corredores, empoleiram-se nos muretes e pontapeiam as portas das salas. As funcionárias procuram correr em sentido contrário, por forma a não poderem testemunhar nada nem intervir. Alguns professores, timidamente, assomam às portas. Sabem que nada podem fazer sem correrem riscos sérios de agressão e outras represálias. Procuro conter-me. 
- 14.55 horas - O barulho, as correrias, as patadas nas portas, as pancadas nos vidros, continuam. Saio da sala e peço a caderneta do aluno a dois dos "foliões". Um deles sai-se de pronto com o clássico:
- "Eu não fiz nada!". E ri-se, com ar de gozo.
Passam-me coisas pela vista, as pernas fraquejam, sinto um nó no estômago e tonturas. Pego na lata de Coca-Cola que ele tem na mão, esmago-a com a minha mão, e peço-lhe de novo a caderneta. 
São quatro cadernetas a preencher. Mais uma quantidade de burocracia.
- Volto à sala de aula, estou no meio de uma explicação particularmente complexa, e uma aluna resolve levantar-se para me perguntar se vi o estojo dela (!!!). Continuo a falar e ela a perguntar, ininterruptamente. Chega-se ao pé de mim e no meio da explicação só digo: "Por amor de Deus, vai-te sentar". A aluna continua a matraquear, quase em cima de mim: "Onde está a minha bolsa? Onde está a minha bolsa? Onde está a minha bolsa?".
Mais uma falta disciplinar. Os alunos resmungam que é uma "injustiça". Apetece-me sair da sala imediatamente e ir para casa. A muito custo, contenho-me. Sinto que me vai rebentar qualquer coisa na cabeça.
- 16.45 horas - O funcionário pede a minha ajuda para desalojar três rapazes, um do CEF e dois do 5º ano (!!!), que sequestraram três raparigas nas casas de banho femininas. As raparigas gritam que se desunham, mas quando chegamos à porta, saem com ar de quem acaba de descer da montanha russa. Eles recusam-se a acompanhar-nos à Gestão. Não podemos tocar-lhes, ou seremos acusados imediatamente de agressão. Mais papéis, relatórios, participações, cartas registadas, entrevistas, acariações.
A Psicóloga da escola está no Gabinete do Executivo, quando vou entregar a papelada. Acusa-nos de não sabermos lidar com os miúdos, que "têm muitos problemas em casa".
Tenho 50 anos. Não é fácil mudar de emprego nesta idade.
Hoje "almocei" e "lanchei" Actimel. Não dei propriamente aulas. Mantive animais selvagens dentro de uma sala, em cativeiro.
 Post-Scriptum: Já estou em casa. São 20.20 horas.. Entrei às 8.15 e tenho ainda um serão de testes e trabalhos para ver, mais as burocracias de actas e outras. Uma vista de olhos pelas notícias do Público, e verifico que uma aluna CEF agrediu violentamente uma professora em Aveiro. Medina Carreira terá dito que as escolas actualmente são uma bandalheira. Eu acrescento que são um inferno.
 (.... ) Terça Feira 17\03 
Não é por ter decido relatar esta semana em termos de indisciplina que estou mais atento para ela, ou que guardo alguma expectativa. Sobretudo por causa disso até gostava de ser agradavelmente surpreendido com um dia sem problemas de maior. Infelizmente ainda não foi hoje...
8.15 horas - Quando passo o portão, os quatro alunos da ocorrência ("ocorrência", até já usamos linguagem policial) de ontem 14.55 horas lançam um grito:
- Ó setôr, quando é que dá as cadernetas que ontem roubou à gente?
Hesito. O que fazer? Os pais olham, com ar crítico, e imagino-lhes a conversa, "Ao que isto chegou... "Eles" não se dão ao respeito e depois admiram-se...". O costume.
No caso de eu ir pedir satisfações aos meninos, estes rir-se-iam na minha cara.
No caso de eu apresentar a queixa, na Gestão achar-me-iam "picuinhas".
No caso de eu espetar duas lambadas nos meninos, era uma chatice das antigas... 
10.20 horas - O Carnaval foi há umas semanas. Um aluno apareceu-me completamente encharcado. Não foi um balão de água. Foi um saco de água. "Brincadeiras"...
12.15 horas - Uma pedra do exterior atingiu um aluno na cabeça. Ninguém viu...
13.50 horas - No intervalo, o tal aluno de nome Raimundo, da turma especial, andava a apalpar e beijar as funcionárias todas. Vi de longe e fui pela escada, dei a volta pelo 1º andar, para não ser obrigado a passar calado, ou, em alternativa, apresentar mais uma participação e esta ser desmentida pelas funcionárias, que têm medo dos alunos - e é caso para isso.
14.30 horas - O barulho é insuportável. Saio da sala para ver o que se passa. Uma festa de boas-vindas a um aluno que esteve gravemente doente, descambou num caos. É uma turma do 5ºano. À janela, um dos alunos grita obscenidades a quem passa, enquanto a professora tenta desesperadamente pôr ordem na turma, que perdeu o controlo. O aluno que está à janela é um dos que ontem invadiu a casa de banho das raparigas. Os pais, quando (raramente) resolvem aparecer na escola para tomar conhecimento do comportamento dele, dizem para a Directora de Turma:
- Só se a gente matar o rapazeco...
É gente que vive do tráfico de drogas.
Às 16.30 horas acabei as aulas do dia.
O saldo não foi mau, em termos relativos. Agora estou a escrever estas breves linhas no intervalo de trabalho administrativo. Estou a tirar faltas e a lançá-las no sistema informático, e a redigir cartas para os Encarregados de Educação para enviar em correio registado.
 Hoje almocei, dei seis blocos de aulas e tenho agora duas horas de trabalho em que ninguém me aborrece, como em qualquer profissão. É pena que seja trabalho burocrático, repetitivo, redundante e sem interesse para mim. Eu escolhi ser professor. Não o tenho conseguido ultimamente.

Recebido por via email do irrelevante

publicado por Arte por um Canudo 2 às 21:40
Sábado, 18 DE Abril DE 2009

Postal de Parada de Gonta..33

 

 
 
Uma saída do trabalho na Fábrica de Lanifícios em Parada de Gonta. 

Esta fábrica de Lanifícios, foi em tempos pólo de desenvolvimento da aldeia e por muitos anos alimento para as gentes de Parada de Gonta e vizinhança. Construída em 1870 nas margens do Pavia, aproveitando uma queda de água, trabalhavam ali dezenas de paradenses produzindo diversos tipos de tecido, cobertores e várias peças de vestuário, que seguiam para as cidades e o estrangeiro.
Em 1975, já nas mãos dos herdeiros da família Correia Teles, um incêndio destruiu esta indústria de Lanifícios, não mais sendo recuperada como fábrica.

Possui, actualmente, novos proprietários, e faz parte do espaço turístico chamado Quinta dos Três Rios.

 

Fonte: http://paradadegonta.blogs.sapo.pt/7209.html

 

publicado por Arte por um Canudo 2 às 13:02
Sexta-feira, 17 DE Abril DE 2009

Ameaça de neblina no reino da educação.

 
Pairam no ar nuvens cinzentas prontas a transformarem-se em negras neste 3º período de aulas, final de ano lectivo, se as ameaças se concretizarem.

Os sindicatos dos professores ameaçam realizar novas manifestações para o terceiro período deste ano lectivo, que começou esta terça-feira, devido à avaliação docente e revisão do Estatuto da carreira.

A Plataforma Sindical dos Professores declarou a possibilidade de convocar uma greve nacional contra as políticas do Ministério da Educação para a semana que termina a 16 de Maio e uma outra que se deverá realizar também no terceiro período, adianta a Lusa.

Na semana de 20 a 24 de Abril, os sindicatos vão realizar uma consulta geral aos professores de todas as escolas do país, com objectivo de ouvir os docentes sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação.

Avaliação dos professores é uma fraude, diz Paulo Guinote, autor do blog «A Educação do Meu Umbigo», que vai lançar livro homónimo. Na entrevista dada ao tvi24.pt, afirma que O ataque ao sistema de avaliação dos professores foi uma das suas bandeiras. «Seja qual for o desfecho que tiver estas lutas nada seria como dantes. O clima das escolas está muito pior do que há quatro anos e isso não teve nenhuns reflexos positivos junto dos alunos, principalmente porque houve um desgaste na escola, enquanto instituição. Todo o processo devia ter sido conduzido doutra forma, porque o que existe neste momento é muito cansaço e desgaste», vincou Paulo Guinote, que não tem problemas em ser implacável.

O principal cavalo de batalha do Mistério, na prática, foi perdido. Este processo de avaliação é uma farsa, uma absoluta fraude, porque o simplex transformou a avaliação numa coisa que não sabemos o que é. Foi um processo não deu em nada, não trouxe vantagem nenhuma às escolas, trouxe enorme conflitualidade e ninguém está a dar melhores aulas, nenhuns alunos estão a aprender mais por causa disto.[1]

O Movimento PROmova vai propor a garantia de apoio jurídico aos professores que, em coerência com os seus princípios, não participem em nenhum acto relacionado com este modelo de avaliação e, em conformidade, não entreguem a Ficha de Auto-avaliação, substituindo-a por um Relatório Crítico.

Entretanto a avaliação continua e vai-se entrar na 2ª observação de aulas assistidas (apesar das nuvens que pairam no ar) à espera doutros sinais que clarifiquem a situação.  


publicado por Arte por um Canudo 2 às 17:42

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