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Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dar voz ao que sinto! Arte e Educação a minha paixão! Arte sem Arte é uma outra forma de Arte! Família, Amigos, Humor e Bisbilhotices são pilares desta Arte.

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Na Rota do Pinóquio!..

Pinóquio II

Pinóquio é um aluno que vem de uma família desagregada que vive do rendimento de inserção social e nada quer da escola. (Ver historial do pinóquio).
Pinóquio diz a toda a gente que nada teme e os colegas que se cuidem. Se não lhe derem o que pede ameaça: “ vou-te dar cabo do focinho”. Mas Pinóquio nestes casos o que diz cumpre e da ameaça passa à agressão. Quantos pais se queixaram à escola que seus filhos têm medo das ameaças e agressões do Pinóquio? A escola responde que segundo os direitos universais das crianças é um aluno como os outros e sendo menor tem direito à escola não podendo ser expulso. Diz ainda, que se ele fosse para casa a escola teria lhe dado o aval para ele ser marginal e sentir-se-ia culpada por isso.
Pinóquio cresceu ao sabor do vento tendo como família os grupos que o ensinaram a desenrascar-se em certas situações. A sua aprendizagem continua a ser a da rua, e apesar dos seus treze anos, tem uma vida repleta de noites de álcool. Surripiar, mentir  e ameaçar é o que ele sabe melhor fazer. Já várias vezes foi alertada a GNR para certas situações, mas ele que não é nada incapacitado nas suas faculdades já se apercebeu que a GNR nada pode fazer por ser menor e vai continuando na sua caminhada sem regras e sem lei.

Várias instituições estão alertadas para o caso e vão tomando algumas medidas, mas quem tem que ficar com o Pinóquio é a escola faça ele o que fizer. Uma coisa é certa a escola é que tem o problema nas mãos e é à escola que compete fazer tudo por ele. Como o pinóquio não gosta das aulas e a escola já nada lhe diz, então, a própria em parceria com outras instituições colocou-o numa oficina  de reparação de bicicletas e motos (estágio), que antes de entrar dizia:  gostava muito de aprender mecânica de motos e ter aquele emprego. Tinha umas horas na oficina e depois tinha umas aulas de recuperação na escola. Foi sol de pouca dura, porque pinóquio é filho do vento e nada o impede de roubar, fazer asneiras ou de faltar ao respeito a qualquer um. Foi expulso!..
Mais uma vez o regresso à escola a tempo inteiro e mais uma vez os colegas vão andar em pânico com o que ele possa fazer.
Muitas questões se levantam num caso problemático como este! Até que ponto os direitos do pinóquio poderão sobrepor-se aos direitos dos outros alunos? Só porque é filho do vento tem o direito de molestar os outros? Que poderão os pais dos outros fazer num caso destes? Parece-me que nada podem fazer já que as outras instituições e com muita responsabilidade no caso também não têm solução para o problema. Enquanto é jovem e recuperável para a sociedade as instituições não dão resposta. Todas estão à espera que ele atinja a maioridade para se descartarem do caso e depois a solução aparecerá, mas todos estão a advinhar qual será!...
Assim a escola que deveria apetrechar todos os alunos com as melhores ferramentas para a vida activa, vai gastando seus recursos (quantas reuniões e quantos professores e instituições no caso) em pinóquios que vão infestando as escolas.

 


2 comentários

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    Jorge Lourenço

    28.03.07

    Cara Psicóloga: é muito interessante o seu comentário. Retoricamente bem construído. Mas infelizmente não passa de mais um conjunto de pseudoargumentos falaciosos que se tornam verdadeiramente perigosos quando confrontados com a realidade. É com base nessas premissas que se tem construido uma escola ( e uma sociedade) que, sob a capa politicamente correcta da inclusão, não faz mais do que promover a mediocridade e cercear a possibilidade de potenciar as capacidades que quem, muitas vezes com muito esforço e sem reconhecimento, luta pelo seu próprio sucesso pessoal. A imagem do médico que só cuida "pacientes" sãos, ou que padecem de males menores acaba por ser patética. Eu colocaria outra questão, para pegar na sua imagem: se um médico for confrontado com 20 sinistrados, 19 dos quais, em estado mais ou menos grave, mas com viabilidade, e um já moribundo e que ainda por cima usa as últimas forças para recusar qualquer auxílio, qual lhe parece ser a atitude correcta? Investir tempo e meios neste, deixando morrer ous outros 19 (e mais tarde este também)? Ou tratar os outros 19, salvando-lhes a vida? é que um professor é confrontado diariamente com turmas de 20 alunos, e tem de optar entre promover as potencialidades dos bons, ou até dos menos bons, mas nunca deve deixar estes 19 para se peredr tempo ( e uso aqui o termo em sentido literal) com um qualquer Pinóquio.
    Eu, enquanto professor, prefiro investir em desenvolver e trabalhar as potencialidades daqueles que lutam pelo seu sucesso com trabalho e empenho, do que perder o meu tempo com os Pinóquios deste mundo. Eu aposto na qualidade e não a ponho em causa por um qualquer mediocre. Mas certamente a minha cara Psicóloga, anquanto tal, será a mais indicada para lidar com os pinóquios... ou talvez não! Se calhar é graças a uma cultura da mediocridade sustentada por pessoas que pensam como a Srª que existem hoje tantos pinóquios neste mundo... e não é so nas escolas!!
    Um abraço Agostinho.
    Jorge Lourenço
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