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Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dar voz ao que sinto! Arte e Educação a minha paixão! Arte sem Arte é uma outra forma de Arte! Família, Amigos, Humor e Bisbilhotices são pilares desta Arte.

Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dar voz ao que sinto! Arte e Educação a minha paixão! Arte sem Arte é uma outra forma de Arte! Família, Amigos, Humor e Bisbilhotices são pilares desta Arte.

Testemunho impressionante.

A “Oportunidade”
A palavra “oportunidade” vem sendo demasiadamente prostituída, de há uns tempos para cá. Refiro-me sobretudo ao modo como é usada e aplicada nos cursos do programa “Novas Oportunidades”, com que lido diariamente e que sem excepção me deixam prostrada, no anseio, que me guia, de concretizar boas práticas profissionais. O que parecem não perceber os vários responsáveis pela criação e pela organização das “oportunidades” é que esta é uma palavra selectiva: não chama toda a gente. Ora, pelo contrário, toda a gente é chamada às “Novas Oportunidades”, com o aceno luminoso de um salário mensal e de um diploma, ao fim de pouco mais de um ano de comparência à formação. Digo comparência, porque pouco mais é necessário.
Passo a explanar alguns dos graves problemas que corrompem um projecto cujo ideal é bonito, mas estropiado pela sua implementação cega:
1. A selecção dos adultos (penso nos EFA e nos RVCC, mas os CEF também cabem aqui) é, geralmente, pouco criteriosa, juntando num mesmo grupo pessoas com níveis de formação assaz distintos, dificilmente conciliáveis. Além disso, a sua formação humana é bastas vezes precária e a disposição para o trabalho, habitualmente, nula. Há dias, houve quem, num arroubo de sabedoria, me aconselhasse a não levar aquilo “tão a sério” (por “aquilo”, referia-se ao cumprimento de horários).
2. Muitos deles estão ali porque foram coagidos pelo IEFP, tendo como única motivação o dinheiro que lhes cai na conta todos os meses, procurando todos os subsídios a que vagamente ouçam poder ter direito. Se conseguirem a certificação no final, é ouro sobre azul. Se a sala estiver equipada de computadores e o curso até for ligado à área tecnológica da informática, então vamos a transformar o espaço de formação num escritório pessoal, de que não podem ser dispensadas as redes sociais nem o MSN. Se o formador pedir trabalho pelo meio, terá de esperar por uma pausa nos contactos de monta que se estabelecem ali, mesmo por quem não conhecia os equipamentos informáticos, mas que depressa chega com deslumbramento ao maravilhoso mundo novo das tecnologias.
3. Os referenciais são abstrusos, incoerentes, irreais e ocos. Além da regular discrepância entre os conteúdos propostos e o tempo de duração do módulo (ora são em demasia para as horas previstas, ora as horas excedem em muito o necessário), os vários módulos repetem pontos uns dos outros, não se percebe uma linha sequencial de matérias nem de nível de dificuldade – e todos têm de ser adaptados aos chamados “temas de vida” e “actividades integradoras”, que limitam confrangedoramente o trabalho de formação.
4. O conceito-chave de “competência”, que norteia todo o programa, está orientado para práticas profissionais, sociais e pessoais que não contemplam a cultura nem o conhecimento – a base sólida de toda a formação.
5. Se existem adultos que não correspondem aos objectivos dos módulos, se não se esforçam nem apresentam trabalho, não podemos pensar numa “não validação”, porque, como me disseram recentemente numa reunião, “não é suposto haver não validações”. Se o formando ultrapassa o limite mínimo de faltas que podia dar, é convidado a assinar algumas horas, na tentativa de que se salve ou permaneça um tempo mais no curso, de modo a não prejudicar as entidades formativas, que são avaliadas em função do número de validações atribuídas e da quantidade de burocracia que fazem nascer. Invariavelmente, são os próprios formandos que acabam por desistir – uns porque percebem que não podem ficar ali sentados sem fazer nada; outros porque depressa detectam o calibre de alguns dos colegas de grupo e não estão para aturar delinquentes.
6. A avaliação dos adultos é feita bastante em função de “reflexões” que têm de redigir com regularidade, juntamente com documentos de “auto-avaliação” – quando poucos têm bases para realizar semelhante exercício ou se interessarem sequer por ele. A lei do menor esforço impera, e é corrente a confissão de “não senti dificuldades”, que isenta o indivíduo de desenvolver o pensamento. Ademais, quase ninguém sabe pensar nem escrever, e o que custa é sabiamente evitado.
7. Nos módulos de Linguagem e Comunicação/CLC, a colaboração nas actividades integradoras resume-se a um “redigir textos”, que, na maior parte dos casos, acaba às costas do formador: as lacunas de expressão e de correcção escrita são tais que é necessário reescrever os textos (ou linhas) entregues pelos formandos, de modo a que se tornem apresentáveis ao exterior.
8. Muitos adultos com o 6.º ano chegam a obter, num período de poucos meses, o diploma do 12.º ano, contando a sua história de vida e fazendo pesquisas na Internet. Raros são os chumbados, findo este percurso, justificando-se, muitas vezes, a certificação, pelos psicólogos e engenheiros envolvidos na avaliação, com o sentimento de “valorização pessoal” que daí advém para os “adultos”.
9. Os formadores são tratados como peças num jogo de xadrez: têm de se desdobrar para chegar a todo o lado e inventar disponibilidade para quem, em muitos casos, não a valoriza. Em múltiplas entidades, não sabemos quando vamos receber, o que frequentemente acontece com um atraso de 4 e 5 meses para com o período de trabalho realizado – porque os subsídios do Estado não chegam e as entidades que gerem vários cursos não têm meios para adiantar pagamentos. Algumas, que o têm, não sentem essa preocupação. Em todos os casos, a prioridade é o pagamento aos ditos “adultos” que, se não recebem no final do mês, boicotam a formação.
10. Os formandos têm sempre razão. Estas são apenas algumas das dificuldades com que o profissional de educação/formação se vê a braços, se quiser trabalhar e ainda não tiver lugar nas escolas públicas – ou se simplesmente escolher outros percursos de trabalho. Salvaguardo as excepções que existem para todo o panorama descrito, tão mais dignas de menção quanto é negro o quadro com que contrastam – quer entre os formandos, quer entre as entidades formativas. Em todo o caso, a situação é inegavelmente preocupante, fazendo-nos cúmplices da proliferação, no nosso país, de uma estufa de párias, que não sabem dar valor à aprendizagem e se iludem quanto às suas “competências”, com a subscrição do Estado e uma palmadinha nas costas. Ainda assim, não deixo de sonhar com o dia em que a palavra “oportunidade” seja limpa e volte a brilhar. Trabalho para isso a cada minuto.
(autor/a que solicitou anonimato)

Retirado do blog "A Educação do Meu Umbigo"

 

"Arte por um Canudo 2"


Postal de Parada de Gonta..66 /Rio Pavia - Anos 60

Caro Dr. Agostinho:

De vez em quando, não tanto nas vezes dos quandos que desejava, mas nos quandos que as vezes me têm permitido, aqui tenho vindo ao "Arte por um canudo" perguntar pelas novas da minha terra.

Tão relevante têm sido, também, assim o confesso, o rebuscar, "nos fundos dos meus baús", as memórias que por lá  fui arrumando, amontuadamente.  

Por coincidência ou não, nos últimos tempos, tropecei nuns arrumos que por lá escondi, e que devo ter feito lá pela década de 60 do século passado. 

O assunto é o mesmo que hoje apoquenta, angustiadamente, duas moças, que identificou como Rita e Bárbara, e que se debruçaram sobre estado calamitoso em que se encontra o nosso Rio Pavia.    

As moças têm toda a razão em alertarem a comunidade para o problema.
O Rio Pavia não deixa ninguém indiferente.

Ontem, como hoje, o Pavia sempre foi tema de respeitos e de amizades dos paradenses para com ele, principalmente dos jovens.

Também os jovens de há meio século podiam falar do Rio Pavia da maneira como lhe mando, porque o Pavia Rio era o que documentam as fotografias que aqui lhe remeto. 

Porque há profundas razões para as preocupações da Rita e da Bárbara, que deixam o apelo às autoridades, aqui deixo um pequeno contributo do tempo em que as cidades não tinham ainda as ETARs a funcionar. 

A "arteagostinho" caberá, se assim o entender, proceder ao arranjo gráfico do conjunto, e dar-lhe o uso que lhe aprouver,  num contributo para a consciencialização do problema, com a ajuda do "Arte por um canudo". 

Um abraço

 

São estes momentos que obrigam à continuação do Blogue. Um agradecimento especial ao Paradense que enviou as fotos e o poema.

Muito obrigado Dr. Riquito

O POST a que o Dr. Riquito faz referência é este Alerta de 2 jovens Paradenses

 

 PAVIA  RIO

 

As águas andadas, paradas

Nas planuras das levadas,

Deste meu rio Pavia,

São águas puras e calmas,

Capazes de limpar as almas,

De todas as vidas sombrias.

 

Preguiçoso em seu leito,

Neste curso mais estreito,

Do moinho dos Romões;

Vêm dos Saguchos ao Vieiro,

Bordejado de amieiros,

Beijar choupos e chorões.

 

Quando desce os degraus,

Das represas de calhaus,

As mães de água dos moinhos;

É melodia - cantata,

Em pequenas cataratas,

Bailando em torvelinhos.

 

Moinhos de mós cansadas,

Com tremonhas já caladas,

Ninguém melhor do que tu,

Recebes com devoção,

O milho do nosso pão,

E o tornaste em “sagu”.

 

É nas invernias cheias,

Som e água ali sem peias,

Que se torna mais troante;

Transborda fora do leito,

Arrasta tudo a eito,

Segue lesto a jusante.

 

E nós ouvimos à noite,

Ninguém haver que se afoite,

A calar a sua voz;

São os serões ao borralho,

Ou as jogadas do baralho,

A sonhar verões p’ra nós.

 

Quando então chega o calor,

E tu, dolente tenor,

Regressas ao curso normal,

Descemos adentro de ti,

E a “mimosa” sorri,

Espreitando do pinhal.

 

Entre nós e a natura,

Há devaneio que dura,

Os tempos de mocidade;

Mas o meu rio Pavia,

No amor ele porfia,

Por ser lugar sem idade.

 

Mais uma vez Obrigado!..

Dr. Riquito


Lajeosa a ler mais...

Lajeosa a ler mais…

Retratos de um concelho - Tondela a ler mais

“O mundo é um livro, e quem fica sentado em casa lê somente uma página”.

Santo Agostinho

Nos dias de hoje, já ninguém questiona a importância da leitura na formação e na educação dos nossos jovens. Ler significa conhecer, para depois reflectir e crescer em conhecimentos. Diríamos que a leitura é um mar de possibilidades que nos transporta ao conhecimento, mesmo inconsciente, do mundo que nos rodeia.

Na verdade, lemos todos os dias de diferentes modos, mensagens visuais, auditivas, corporais, mas pegar num livro e viajar num tempo e num espaço diferente do que nos é perfeitamente habitual tem sido esquecido. Pegar num livro e ler aos colegas, aos filhos, aos pais, aos amigos ou simplesmente ler para nós próprios.

É sempre um prazer que é preciso descobrir para desfrutar.

Lembro-me tão bem, quando eu professora saía com os meus alunos, cada um com o seu livro preferido debaixo do braço e íamos à procura do melhor sítio para viajar…

A mais bela experiência de leitura aconteceu-me em 1992 quando cada um de nós trepou para cima de uma laranjeira e, refastelados, abrimos os livros e… lá fomos ouvindo bocados de histórias do Pedro, da Maria, do João, da professora…

Mais tarde, idealizámos uma revista mensal e… fizemo-la toda à mão com primeira página, ilustração, passatempos, textos informativos e textos em prosa e poesia. Vendemo-la aos pais, aos tios, aos avós…

            Hoje, o tempo na escola dissipa-se por entre os toques, os mails, as buscas e as cópias na Internet, dando a triste sensação de que já foi tudo inventado e que não vale a pena imaginar, criar, fantasiar. Os alunos acordam cansados e não sorriem. Andam carregados de manuais que não lêem e de cadernos que odeiam. E afinal, apesar dos seus computadores portáteis, alguns não sabem pesquisar!

            São estas as maleitas do nosso tempo que é preciso começar a prevenir, desde cedo, em casa, na família e em toda a comunidade.

 

           É urgente ler mais.

          Como diz o pedagogo Paulo Freire “ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens educam-se entre si, mediatizados pelo mundo”. É urgente dar o exemplo, porque a família é um tesouro que é preciso continuar a estimar, porque a educação, como diziam os nossos avós começa em casa, com as regras, com os usos e costumes, com o exemplo.

Em traços gerais, são estas as linhas do nosso projecto “Lajeosa a Ler mais”. Queremos ir mais longe, abrir as portas ao mundo, de mãos dadas com pequenos e grandes leitores. 

Queremos muito que todos comecem a ler mais: em casa, nos jardins de infância, nas escolas do 1º CEB, na escola EB 2,3, nos cafés, no jardim, no concelho de Tondela, porque a educação é sobretudo um processo contínuo de desenvolvimento social e o “grande segredo para o aperfeiçoamento da humanidade” (Kant).

Falo de um projecto anual do Agrupamento de Escolas de Lajeosa do Dão, dinamizado pela Biblioteca desde os “baús pedagógicos”, aos “autores em destaque”, às “olimpíadas da leitura”, às “histórias contadas a meias”, às “histórias lidas pelos pais”, à “biblioteca aberta aos pais” (empréstimo domiciliário de livros), à “manta da leitura”, à “casa da leitura da Bli” (biblioteca itinerante para os jardins de infância e escolas do 1º CEB), ao “ciclo de cinema na escola – outras leituras”, faz sentido o grande encontro entre pais, escola, alunos, professores, comunidade. Mas também falo de um grande projecto concelhio “Retratos de um concelho – Tondela a ler mais” que conta com actividades partilhadas ao longo do ano, fruto das parcerias entre todas as bibliotecas escolares do concelho, a Biblioteca Municipal, a Câmara Municipal de Tondela, escritores e associações culturais locais.

             Boas leituras!

A coordenadora da Biblioteca

Lúcia Almeida



Os Pinóquios das TVs

Afirmações como a de Miguel Sousa Tavares na 2º feira e as de Silva Lopes de hoje, 5ª feira, nas TVs, merecem resposta de reposição da verdade das organizações de professores. As coisas que eles dizem..o deficit é culpa dos professores porque fizeram aquelas grandes manifestações e o governo teve que claudicar. Só para lhes lembrar, até porque eu participei nessas manifestações, e o que me levou lá e creio que a todos os professores foi o mau estar que se criou nas escolas com a famosa ADD, avaliação de desempenho docente, que era inútil, burocrática e injusta.

Espera-se uma resposta dos sindicatos que até foram apelidados de lobbies dos professores.


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