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Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dar voz ao que sinto! Arte e Educação a minha paixão! Arte sem Arte é uma outra forma de Arte! Família, Amigos, Humor e Bisbilhotices são pilares desta Arte.

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Postal de Parada de Gonta..44


Manuel Viegas          Manuel Viegas com seu staff e ex-Presidente J.F. de Parada de Gonta

Vem mesmo a calhar..

Recebido através de email, uma entrevista ao nosso conterrâneo Manuel Viegas, grande mentor na angariação de fundos para ajuda às  Associações Paradenses e não só..e ao Concelho de Tondela. Fica aqui a sua história como pessoa de relevo em Parada de Gonta.

 

Os 15 anos do Monumento ao Emigrante....
O BEIRÃO ONLINE; entrevista Manuel Viegas emigrante nos Estados Unidos
Neste tempo em que os emigrantes acabaram de regressar ao seio das suas famílias, pois o Natal e passagem de Ano Novo, são datas apelativas, vamos recordar que, durante as últimas férias de Verão, entrevistámos, em Tondela, junto ao monumento ao Emigrante, o nosso particular amigo, natural de Parada de Gonta, sr. Manuel Viegas (MV), de 65 anos, figura bem conhecida no seio da comunidade portuguesa e tondelense, radicado nos Estados Unidos da América há muitos anos, onde vive com sua esposa, D. Graciete Pinho Viegas, natural da Murtosa, Distrito de Aveiro.
Manuel Viegas, discursando durante a inauguração do monumento
O motivo da nossa conversa foi, pois, em torno da vida por que passam os emigrantes em terras estrangeiras, das suas dificuldades de adaptação e dos seus sucessos e, claro, sobre em que bases assentou a ideia de erguer em Tondela, um monumento consagrado a quantos, um dia, deixaram o nosso Concelho em busca de uma vida melhor.
Era o El Dorado; como nos tempos do velho Far-west, em que, gente de todo o mundo, acorria para a procura de ouro, que deslizava com a corrente dos rios, onde as pepitas eram recolhidas numa peneira, ou ainda escavado em filões em rochas ou terras normalmente desérticas, o que levou à criação de povoações mineiras, com casas feitas de madeira e que eram tidas como cidades, com lei ou sem lei, até que um sheriffe qualquer a viesse fazer cumprir, às vezes, à custa da sua pele, acabando com as mortes violentas entre grupos emergentes e dominantes que faziam a sua própria lei.
- BO; O Manuel Viegas em que mês e ano nasceu?
- MV; Nasci em 26 de Julho de 1944, em Parada de Gonta.
- BO; Porque é que emigrou para os Estados Unidos?
- MV; Emigrei, porque a minha mãe ia para lá e levou-me com 16 anos;
- BO; O que é que foi fazer?
- MV; Fui trabalhar numa fábrica, de emigrante também e naquele tempo (1960) era fácil emigrar para os Estados Unidos, porque ela nasceu no Brasil e como era fácil, ela emigrou primeiro e depois fui eu.
- BO; Por lá ficou;
- MV; Sim fiquei eu e depois mais tarde foram os meus irmãos, o meu pai e agora temos lá a família toda.
- BO; Quantos irmãos são?
- MV; Somos quatro irmãos, dois rapazes e duas raparigas. Os rapazes nasceram em Parada de Gonta e as raparigas em Lisboa.
- BO; Em que é que começou a trabalhar?
- MV; O meu primeiro trabalho foi numa companhia de construção, no inverno, mas como eu não tinha a idade legal, que é aos 18 anos, só trabalhei lá duas semanas e depois mandaram-me embora, porque não podia trabalhar com essa idade. Então, graças ao conhecimento da minha mãe com uma senhora, que tinha um sobrinho, numa fábrica de papel e então eu entrei para lá no dia 10 de Fevereiro de 1961, a ganhar um salário mínimo muito pequeno e depois fui aprendendo e cheguei ao escalão de encarregado geral da companhia, tendo três ou quatro encarregados sob as minhas ordens e, deste modo, estive nessas funções e nessa empresa, 25 anos e depois mais 19 anos noutra, no mesmo ramo.
- BO; Então no total, quantos anos já faz nos Estados Unidos?
- MV; Tenho 49 anos de Estados Unidos;
- BO; Quanto é que começou a ganhar?
- MV; O meu primeiro cheque foi de 33 dólares por uma semana de trabalho e depois comecei a subir e na companhia de Papel, ali era o ponto de encontro de todos os portugueses que emigravam para a América. Ajudei muita gente e pessoas que ficaram milionárias e sempre colaborei, ao nível associativo, em benefício dos anseios da nossa terra.
- BO; Faz alguma ideia de quantos emigrantes de Parada de Gonta e no fundo, portugueses, estão radicados na América hoje?
13 MIL TONDELENSES NA AMÉRICA
- MV; Olhe, na América toda estarão à volta de quatro milhões de portugueses e luso-americanos;
- BO; E de Parada de Gonta e Concelho de Tondela?
- MV; De Parada de Gonta, eu creio estarem na América entre quatro a cinco mil pessoas e do Concelho de Tondela, à volta de umas doze mil ou treze mil, que estão espalhados por todos os Estados americanos.
- BO; Essas pessoas, naturalmente, fazem falta em Tondela, uma Cidade bonita, que é sede de um Concelho grande, que tem muita população, mas que precisava mais gente na Cidade.
- MV; Talvez, mas como vê, este Governo está assim (pensamos que falava de crise e de dificuldades em Portugal) e muitos portugueses têm medo de regressar para a sua terra, não há segurança, aqui neste país, como sabe as pessoas dizem que na América é perigoso andar nas ruas, aqui em Portugal está a bater a América, nesse sentido.
- BO; Está a ir para o mesmo;
- MV; Sim, para o mesmo, mas a maioria das pessoas que está na América, especialmente de Parada de Gonta, talvez metade regressem à terra, a outra metade está lá estabelecida, tem bom trabalho, tem bons empregos, alguns são donos de companhias e, quanto a estes, é muito difícil que regressem a Tondela de vez.
- BO; O que o leva a pensar que muitos regressem à sua terra?
- MV; Porque, sabe, há muita gente que foi daqui por necessidade, mas foi também pelo espírito de aventura e descoberta, com melhores horizontes de futuro e venceram e então os que estão bem na vida, não virão para cá, porque estão americanizados.
- BO; Então os que regressarão;
- MV; Sim, são pais e alguns avós que vivem cá e vão ver os filhos.
- BO; Claro, esses regressam porque estão cá a residir, mas dos que lá estão e que regressam, é metade, mas não a metade dos filhos deles?
- MV; Não, os filhos, se vier algum, serão aí uns cinco por cento.
- BO; O senhor acha que aqui há oportunidades quando passar esta crise europeia e mundial, muita gente quer regressar aqui e refazer a sua vida, também em Tondela, porque não?
- MV; Não é muito fácil que isso aconteça, porque este país está tão no fundo, que não há grande futuro para gente que tem boas qualificações na América, onde tantos estudam sem nada pagar ao Estado e depois o estilo de vida é outro e não compensa vir.
- BO; Quanto a Segurança Social, na América não há, é tudo por intermédio do seguro;
- MV; Sim é seguros e é pago pelo patrão e pago pelos particulares, mas temos um seguro fantástico, em Portugal existem bons doutores, mas não têm bons hospitais.
- BO; Sei que existe uma Casa do Concelho de Tondela em Newark.
- MV; Sim existe, onde estive à frente dela 13 anos, depois tive que me retirar para a reforma onde eu moro agora neste momento e a casa esteve aberta um tempo e depois fechou, está fechada há ano e meio, entretanto eu soube dessa situação e consegui arranjar um grupo de pessoas para ver se consegue reactivar a Casa de Tondela, porque era um ponto de encontro para todos os tondelenses, com muita confraternização, mas é como tudo, não há quem queira trabalhar;
- BO; Aqui também é a mesma coisa;
MV; Aqueles que trabalharam eu e outros como eu, mas por causa das nossas vidas tivemos que sair da zona e depois é aquela coisa, há sempre gente à espera que os outros façam;
- BO; Mas esse é o mal de todo o mundo. Então a Casa de Tondela está novamente encaminhada para prosseguir com as suas actividades;
- MV; Sim, sim, eu espero que quando regressar já esteja tudo normal, após a minha saída eu consegui juntar alguns membros da Direcção velha e com a Direcção nova, possam tomar conta daquilo, porque é uma vergonha para os tondelenses, porque lá tínhamos tudo na bandeja e fecharam.
- BO; Não acha que poderia haver mais intercâmbio entre as Casas do Concelho de Tondela e a Terra-Mãe, ao nível da Câmara Municipal, por exemplo, das associações culturais e recreativas, com idas lá e vindas cá, que é que acha?
- MV; Sim, era uma boa ideia, eu já estive em contacto, aqui alguns anos, com a Casa do Concelho de Tondela em Lisboa, no tempo do sr. Aurélio Calçada, mas ele depois ficou doente e as coisas encaminhadas, nunca foram avante e, tanto lá como cá, há relaxo. Você falou bem, haveria de existir mais intercâmbio e com a reabertura, segundo espero, haja intercâmbio e que nós possamos fazer o mesmo com outras Casas de Tondela na Europa.
- BO; Então diga lá como nasceu a ideia e concretização da estátua ao emigrante?
- MV; Olhe, muito fácil, a ideia da estátua ao emigrante, nasceu de um jantar na América onde esteve o Dr. Tenreiro com o Dr. Felisberto e, nessa altura, abordámos a conversa sobre a construção do monumento ao emigrante em Tondela e o Presidente disse que essa construção era viável e iria levar a questão à Assembleia Municipal e discutir o que se poderia fazer e ao fim de três meses obtive a resposta de que tinha sido aprovada. Nessa altura comunicámos para todos os emigrantes radicados na Europa, se nos davam alguma ajuda para a estátua, não havendo nem um único donativo da Europa e, nesta circunstância, a única contribuição para a estátua foi dos Estados Unidos na ordem, dos 1.800 contos ou 2.800 contos, não tenho bem a certeza. Também fizemos uma festa para angariação de fundos para a obra do Dr. João Almiro, que rendeu 1.600 contos, depois um grupo de amigos também fez uma festa para Canas de Santa Maria, para a aquisição de uma ambulância destinada à Cruz Vermelha, onde esteve o Leitão e o Dr. Felisberto;
- BO; Aí está uma filosofia bonita, a Casa de Tondela na América a ser solidária com as instituições do Concelho.
- MV; Neste momento tenho feito contactos na Casa de Tondela na América, para se reatarem os convívios e podermos manter a tradição, mas como já disse, há muitas dificuldades em arranjar pessoas que queiram trabalhar e colocar-se à frente da instituição.
- BO; Há quantos anos se mudou para o Estado da Florida?
- MV; Estou lá há quatro anos e já fiz três convívios de beirões, onde no primeiro esteve o cantor Gilberto Amaral, em 2007, em 2008, foi lá o Dr. Carlos Marta e o Dr. José Cesário e, este ano, já é o terceiro convívio beirão.
O casal Viegas com a saudosa Amália Rodrigues
- BO ; Estamos numa Cidade pequena, jovem; acha que há mudanças em Tondela?
- MV; De há cinco anos para cá, o tempo que deixei de vir aqui, Tondela cresceu, pelo menos, 50 por cento, é uma Cidade limpa, é uma Cidade em progresso, tem um bom Presidente à frente deste Município, falado na América, principalmente na Florida e quando há aqueles convívios de Parada de Gonta, fala-se sempre em Tondela;
- BO; Reconhece que nunca se fez tanta obra não só na Cidade mas em todo o Concelho?
- MV; Sim, sim, eu vejo e reparo também na minha aldeia, em que se vêm muitos melhoramentos; enfim é um Concelho em movimento como se diz e está de parabéns quem está à frente deste Concelho.
Em informações complementares, Manuel Viegas deu a perceber que continuava ligado ao associativismo e foi ele que, através da sua iniciativa, foi dar vida a uma Casa de beirões. Já esteve na Casa Branca com o anterior Presidente Clinton, para onde foi convidado com o Presidente Cavaco Silva, entre outras representações, que só dignificam os tondelenses.
Não vai perder o rumo da sua Terra natal e promete vir a Tondela todos os anos.
Para ele, toda a família e comunidade tondelense, beirã e portuguesa, vão os desejos de Boas Festas e um Novo Ano muito próspero, com os votos de que visitem e divulguem este jornal diário;O Beirão Online; com notícias do nosso Concelho e da região, a toda a hora, sem terem que esperar uma semana por novidades.
Obs; Os escultores Luz Correia, de saudosa memória e Machado, autores do projecto do monumento ao Emigrante.
O Beirão Online; http://obeirao.net/jornal Produzido em Joomla! Criado em: 3 January, 2010, 16:59
 
Recebido via e-mail.

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