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Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dar voz ao que sinto! Arte e Educação a minha paixão! Arte sem Arte é outra forma de Arte! Família, Amigos, Humor e Bisbilhotices são pilares desta Arte.

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Textos para a Poetisa Filipa Duarte.

"A POESIA NASCE, NÃO SE APRENDE"

O canteiro foi sendo preparado pelos professores da EB 2,3 de Lajeosa do Dão. Há já algum tempo que era preciso dar voz a esta sementeira, feita de crianças ávidas de saber e de ouvir sempre mais e mais a respeito de um poeta, de um escritor, de um livro. Mas era necessário o espaço para desfrutar do belo, entrar nele e entoá-lo, ao jeito dos poetas…

Era necessário convidar alguém que lhes mostrasse o caminho da beleza da poesia, do silêncio dos espaços entre os versos, da musicalidade da rima e, sobretudo, da beleza das palavras, numa voz terna e maternal.

Convidámos a poetisa e esperámos, ansiosos, este maravilhoso dia para estarmos juntos na nossa simpática Biblioteca. Dia 20 de Abril, um dia feito de livros, de poesia, de “diálogos poéticos”, com a poetisa eleita: Filipa Duarte!

Engalanámos a casa e preparámos a mesa da poesia. A Filipa Duarte sentou-se à mesa e encetou “os diálogos poéticos”, lado a lado, com outros sempre presentes na poesia: a Sophia, o Miguel Torga, o Eugénio de Andrade, a Florbela Espanca, o Fernando Pessoa, o José Gomes Ferreira, o Jorge Letria e tantos outros com os seus poemas.

A sala encheu rapidamente e, feitos poema, os meninos e meninas emudeceram ao ver que a Filipa Duarte tinha os olhos cor do mar, os cabelos escuros e era, apesar do enigma da sua idade, uma criança feita poema, tal como eles. Falaram do Ulisses, viajaram no tempo e nos saberes, encenaram uma pequena peça, cantaram em jeito de “Rap” a Odisseia de Homero, cantaram um seu poema e fizeram-se às histórias de mãos dadas com a poetisa. Entraram no jardim encantado da Alice (no País das Maravilhas) e quiseram saber mais e mais… Como se inspirava, como escrevia, desde quando escrevia, do que gostava de fazer, quais as suas aventuras… Tudo.

Tudo desfilava por entre aqueles olhitos de meninos sorridentes do 4º, 5º e 6ºano de escolaridade. A Filipa Duarte encantou-os e começou a lançar as sementes à terra, com amor e carinho, falando do vento, do mar, das estrelas, da lua, do pensamento, da imaginação, do sentimento das palavras, a tal ponto que todos os presentes transbordaram de beleza e comoção!

Ao final da tarde, os pequenos grandes poetas do 4º ano, quiseram então ler-lhe as suas poesias ou até mesmo as dela, levantando-se um a um, num corrupio jamais visto naquela escola. Agarravam nas palavras e, tal como numa tela, combinavam as cores do poema, misturando a sua simplicidade, a sua ternura, a sua inocência com o dia-a-dia de uma escola. Desfolhavam os seus cadernitos e, de pé, lá diziam: “vou ler-lhe um poema da minha autoria”… Por entre as linhas e correcções a vermelho da sua professora, as sementinhas da poesia foram voando na sala…

Quando a campainha tocou não quiseram sair e choveram beijinhos, abraços e dedicatórias…

A Filipa Duarte tem razão: “A poesia nasce, não se aprende”, mas consegue-se semear no mais pequenino dos canteiros, sendo somente preciso “engenho” e “arte”.

Hoje, foi possível misturar todas estas sementes! Bem-haja à nossa jardineira Filipa Duarte e a todos os professores e colaboradores que ajudaram a preparar o nosso canteiro. Viva a poesia!

                Lúcia Almeida

LEITURAS PARTILHADAS

Muitos iluminados apregoam que as crianças cada vez lêem menos. “No meu tempo é que era”, gabam-se, com aquela sobranceria de quem pensa que as gerações posteriores à sua não passam de gerações rascas, como afirmou um conhecido comentador da nossa praça. Bastas vezes me surpreendo porque ideias dominantes disseminadas pelos grandes crânios deste país e pela omnipresente e omnisciente comunicação social esbarram com a minha experiência pessoal, deixando-me mais confuso do que um cachorro no meio da auto-estrada. “Que os garotos só querem computadores, playstation e televisão…”. Não, não é verdade, os meus alunos adoram ler! Em casa, lêem, nas aulas pedem para ler, exigem ler, suplicam, imploram! E quando se fala na “Semana da Leitura”, querem logo correr para a biblioteca da escola e escolher uma boa história para partilhar com os colegas. “Vamos treinar, professor, temos que treinar muito para lermos bem”, insistem. Mas é preciso dar a matéria, cumprir o programa, estão aí as Provas de Aferição a chegar”, replico eu. Mas a vontade de ler sobrepõe-se a todos os argumentos. “Está bem, vamos ler só mais uma vez”. Lêem e voltam a ler e sentem-se felizes porque nada lhes dá mais alegria do que uma boa sessão de leitura.

Gostam de ler em grupo. Umas meninas escolheram uma história um pouco infantil mas muito divertida sobre um rinoceronte que sofria de malcriadite rinocerite; outras, como que para equilibrar, foram para um tema triste mas muito actual, o divórcio; os dois rapazes seleccionaram uma história tradicional, daquelas em que a inteligência leva sempre a melhor sobre a injustiça. Os alunos escolheram em inteira liberdade e eu pensei cá para mim que se fosse eu não escolheria de certeza melhor. Nesta terça-feira, a magia dos grandes autores manifestou-se pela boca das crianças, de manhã, e à tarde a deusa Calíope desceu até nós pela mão da poetisa Filipa Duarte. Há dias assim, mas não são muitos…

 

 

Manuel Martins

 

Obs: Esta foi uma das actividades da Semana da Leitura do nosso Agrupamento (que contou com a participação activa dos alunos do 3º, 4º, 5º, 6º anos na BE e com o trabalho excelente dos seus professores Natália Santos, Manuel Martins, Leonilde, Fátima Lopes e com a colaboração da música e da EVT com Ana Andrade e Fernando Pais.


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