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Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dar voz ao que sinto! Arte e Educação de mãos dadas! Arte sem Arte é outra forma de Arte! Família, Amigos, Humor e Bisbilhotices são pilares desta Arte.

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Memórias de Abril.


25 de ABRIL DE 2010

36 anos após o 25 de Abril, ainda restam memórias do sonho que foi esse dia. Para a maioria o sonho não passou de um sonho e o que resta é a memória desse sonho. Para mim, o sonho continua a ser sonho e prefiro viver nesse sonho do que viver sem sonhar. Um dia esse sonho chegará numa nuvem de espuma brindando com todos:VIVA a Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Equidade.

A minha 1ª Lição sobre o 25 de Abril. 
A esperança moribunda

 

Deixo a memória dum Paradense brindando o 25 de Abril.

 

Um pouco de historia vivida em Angola no 25 de Abril.

Eu, Zé Carrapato, estava na Provincia da Lunda na cidade de Henrique de Carvalho no Leste de Angola. Quando nesse dia pela manhã levantei-me para fazer o café, sendo eu o cozinheiro-dia, vi o Costa de Braga que era radiotelegrafista no STM (serviço de telecomunicações militares) muito agitado. Era-mos muito amigos. Perguntei : o que é que se passa? nunca te vi assim tão preocupado. Não sei pá, não temos nenhuma comunicação com a metropole.
Não sabemos nada do que se passa no Puto. Em linguagem militar o Puto era Portugal.
Quase às 7 horas  aparece o Costa no refeitorio quando toda a gente tomava o pequeno almoço e diz :houve um golpe de estado no Puto. Alguns nem sabiam o que era um golpe de estado. A maior parte saltava e cantava : Lisboa, Lisboa, Lisboa. Eu tinha um grande amigo lá no pelotão que era o ex-arbitro José Alberto Veiga Trigo!!., o Compadre Alentejano. Diz ele, mas ainda com medo: já ganhamos Cardoso os facholas ja foram àgua abaixo. E depois cantàmos juntos coforme sabiamos e podiamos. Era assim:


Quero, quero ir para Lisboa

Quero ir embora

Nem que seja de canôa

Quero ir embora

P'ra minha terra querida

Vou dizer adeus à tropa

E começar nova vida.

Ja disse adeus ao rancheiro

Ao sargento lateiro

Ao cabo e ao furriel

Ja entreguei minha farda

A mochila e a espingarda

Ja disse adeus ao quartel.

 

Depois era a ansiedade de regressar a Aldeia que nos viu nascer. Eramos alguns de Parada nessa altura a cumprir o serviço militar nas provincias ultramarinas. E eu comunicava com eles todos por escrito. Era o meu primo Antonio Diéta  na Guiné, o Zé Carriço, se não me engano creio que era em São Tomé, o Zé Augusto em Angola, o Eduardo Sagucho em Angola, o Zé Mário  Melhor em Moçambique e o Quitanga em Angola. Até que chegou o dia.
Três dias de viagam até Luanda. Quando lá cheguei a primeira pessoa a visitar foi o Quitanga. Lá estava na cozinha a fazer batatas cozidas com feijão frade e carapau frito. Depois da refeição saímos, fomos até à baixa de Luanda "Portugalia"  mas por onde passavamos era camarão e cerveja, (perguntem-lhe se eu minto). Depois disse-lhe: Fernando daqui a dois dias vou para o Puto. Disse-me podes levar-me umas coisitas para a familia? sem problema  disse eu.
No dia do embarque para a metrópole, veio comigo até ao aéroporto. Quem é que la encontramos? o Zé Augusto. Mais uma horita à conversa, eu e Zé Augusto,  seguimos para a pista de embarque e lá ficou o Fernando Quitanga a chorar.
E às 6h30 da manhã do 31 de Janeiro de 1975, o 747 poisou no aéroporto de Lisboa com dois paradenses. Zé Carrapato e Zé Augusto.      
 A história do 25 de Abril do  Zé Carrapato.

 

Fado do 25 de Abril

 

Ó gente nova do fado
Não falem mais dum passado
Que nem lembrar eu já posso
Deixem as coisas d'outrora
cantem o mundo de agora
Que o mundo de hoje é que é vosso
 
Deixem p'ra lá as severas
As toiradas e as esperas
E as tristes cenas bairristas
Em vez de fados saudades
Cantem fados liberdade
Cantem fados progressistas
 
Com vossas vozes castiças
Combatam as injustiças
Feitas p'los grandes senhores
Digam sem medo de alguém
Que os fadistas também são
Filhos de trabalhadores
 
Ó gente nova do fado
Deixem p'ra la o passado
Que ABRIL cortou p'la raiz
Desde esse dia dos cravos
Deixamos de ser escravos
E hoje o Povo é mais feliz

Fado do Zé Carrapato em homenagem a Abril


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