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Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dizer o que vai na alma é dar voz ao que sinto! Arte sem Arte é uma outra forma de Arte! Arte e Educação são a Paixão.

Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dizer o que vai na alma é dar voz ao que sinto! Arte sem Arte é uma outra forma de Arte! Arte e Educação são a Paixão.

Sensações estranhas… um relato na CUF.

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No dia 2 de junho de 2022 fui sujeito a uma intervenção cirúrgica para uma remoção de uma hérnia epigástrica na linha do umbigo.

Fica o registo da minha perceção na altura do ato.

Pelas 14.00h dirigi-me à CUF, hospital de Viseu, e pelas 14.30h como estava marcado entrei para sala onde me fizeram perguntas  e também foram pedidos os meus dados de identificação. Pouco depois fui chamado para me deitar numa maca onde seria transportado para o bloco operatório. Nesse percurso da maca fui guiado por uma enfermeira que com a sua voz doce me acalmava com palavras meigas. Mesmo através da máscara e da minha agitação conseguia percecionar  que era uma jovem e que me dizia para eu não ligar se ela batesse com a maca naquele corredor longo até ao bloco. Durante o percurso pelo corredor, realmente pareceu-me longo, e olhando eu para as luzes do teto que iam ficando para trás, ia pensando na vida, no que fiz e muito mais no que ainda falta fazer, se voltava para fazer o que não tinha feito, se voltava a ver a família e os amigos, tudo vinha à mente. Mas naqueles pensamentos preocupantes ouvia a voz calma e doce da enfermeira que me guiava e me dizia que era de Lamego. Disse-lhe que conhecia bem Lamego e  a  sua gastronomia, nomeadamente o cabrito ao qual ia algumas vezes apreciar. Logo me disse que no  Mezio  havia um arroz de salpicão que era a especialidade da terra e do melhor que existe. Disse-lhe que haveria de provar. A voz calma da enfermeira lá me trouxe á realidade e serenamente me disse que agora passava a ser levado por outro enfermeiro. Também me lembro do meu novo condutor da maca que logo me disse que ia passar por quatro estações e cada uma delas mais fria que a anterior. Aconchegou-me cobrindo-me melhor com a roupa na maca e abriu a nova porta dizendo-me que era a primeira estação. Realmente senti o ar mais frio naquele compartimento e aquelas luzes por cima da cabeça faziam-me transportar novamente para os pensamentos sobre da vida: Acordo, não acordo! Vou ficar bem. Tudo vem à cabeça com aquelas luzes a girar à nossa volta. Novamente a voz do enfermeiro: vai passar  à segunda estação e novamente outra porta se abre, mais frio ainda e com muita gente a olhar para mim, descubro o meu cirurgião, ao qual cumprimento e todas aquelas luzes, o ajustar da maca, o prender-me pernas e braços, o perguntar-me se estou calmo, fez parte daquele ritual que me levou a voar para outra dimensão. Não me lembro das outras duas estações, nem sei se existem, ou o que aconteceu. Só me lembro de estar num local e perguntar a quem estava a meu lado, quando é que ia ser operado? Respondeu-me o enfermeiro que já tinha sido e tinha corrido bem. Ai que alegria e felicidade passou por mim! Afinal, acordei, estou cá e posso fazer o que ainda não fiz, posso ver a família e os amigos. Alegria! Tinham passado duas horas eu julgava que ainda ia para outra estação.

Este enfermeiro depois da cirurgia passou-me para outro/a para me levar para o recobro. Lá vou eu mais feliz para recuperar no quarto e quando olho para cima vejo aquela cara com máscara que tinha voz doce e perguntei: É a enfermeira de Lamego e que me falou no arroz de salpicão de Mezio? Diz ela: Sim sou eu, que o levo de volta para recuperar. Agradeci as primeiras palavras dela e o quanto me fizeram bem.

Já no quarto de recuperação fiz um amigo que também estava a recuperar duma cirurgia ao ombro.

Tudo volta ao normal…