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Arte por um Canudo (Blog do Agostinho)

Dar voz ao que sinto! Arte e Educação de mãos dadas!! Arte sem Arte é uma nova forma de Arte! email: ag_silva@hotmail.com

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Tudo bons meninos, das autarquias para a educação!

 

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Imagem via Ponte Europa

Enquanto andamos entretidos com a greve às avaliações, o governo e os seus parceiros interessados chegaram a acordo com a transferência de competências na àrea da educação.

Há 3 anos muito contestada pelos professores e sindicatos, ( ver este post Municipalização da educação na má onda. e este Em nome da educação deixem a escola em paz e reflitam na melhor solução.) agora enquanto nos entretêm com, ou como, devemos continuar a greve às avaliações, por trás tudo é feito e aos professores vão ser impingidas medidas que porão os cabelos em pé a muitos. Numa altura conturbada das autarquias com relatos de corrupção,  fica o registo do jornal online Aventar sobre o assunto e cito.

"Após dois anos de negociações, o governo chegou a acordo com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e prepara-se para aumentar substancialmente as contribuições e a transferência de competências para as autarquias, em áreas tão importantes como a Saúde ou a Educação. O acordo alcançado permitirá aumentar até 10% os orçamentos municipais, colocará 7,5% das receitas do IVA nas mãos das autarquias e dará aos executivos municipais o poder de gerir escolas públicas, centros de saúde e habitação social.

Regionalista que sou, o processo de descentralização é algo que me agrada. Contudo, perante aquilo a que tenho assistido nos últimos anos no meu concelho, a Trofa, temo que esta decisão contribua para expandir as redes clientelares dos partidos políticos no poder, colocando nas mãos de autarcas corruptos e sem escrúpulos a decisão sobre mais investimentos avultados, obras estruturantes e emprego público bem remunerado. Se as coisas já são o que são com “migalhas”, imagino a festa que será daqui em diante.

Se a maior parte das autarquias portuguesas são já um couto das pequenas mafias locais que gravitam em torno dos partidos políticos, em particular PSD e PS, o aumento do poder e dos recursos disponíveis trará consigo mais obras e adjudicações entregues a amigos e colegas de partido. Permitirá que autarcas corruptos paguem ainda dívidas de campanha ou assegurem financiamentos futuros. Garantirá emprego público para ainda mais boys e girls incompetentes, incubados na mediocridade das jotas, que serão colocados em posições-chave nas nossas escolas e centros de saúde como forma de pagamento do abanamento eleitoral de bandeiras. Reparem bem, caso não tenham percebido a extensão do problema, que teremos os nossos filhos nas mãos de imberbes sem formação, embrutecidos pelo fanatismo político-partidário. Em escolas e centros de saúde. E tudo isto com o alto patrocínio dos nossos impostos.

É por estas e por outras, muitas outras, que é absolutamente necessário fazer marcação cerrada aos autarcas portugueses. E como combatemos a corrupção e o tráfico de influências local? A meu ver, de duas maneiras. A primeira passa pelo reforço do papel da polícia, que lhe permita, na medida do possível, imunizar-se cada vez mais contra qualquer tipo de pressão por parte das máfias partidárias, e da Justiça, que deve ser mais rápida, eficaz e intransigente.

A segunda, à qual dedicarei várias publicações ao longo dos próximos meses, passa pela capacidade dos cidadãos de monitorizarem e pressionarem o poder local, examinando contratos e contratações públicas, ligações com a imprensa e empresários locais ou a condução do dia-a-dia da autarquia. Monitorizar o que gastam, como gastam, quem ganha concursos e em que condições. Esmiuçar a engenharia do ajuste directo. Estar atento às panelas dos boys, dos amigos e dos jotas. Ou quando dermos por ela viveremos todos em pequenas ditaduras, geridas a bel-prazer pelo caciquismo corrupto dos traficantes de influências e dos parasitas partidários que os rodeiam. A hemorragia pode e deve ser estancada e os corruptos colocados no local onde pertencem: atrás das grades.

Bisbilhotices